terça-feira, 20 de agosto de 2013

Sistema carcerário nacional tem apenas 15 ginecologistas para 35 mil mulheres presas


                                                 
(CNJ) O sistema penitenciário brasileiro conta com apenas 15 médicos ginecologistas para uma população de 35.039 presas, o equivalente a um profissional para cada grupo de 2.335 mulheres. Os dados são do Sistema Integrado de Informações Penitenciárias (Infopen), do Ministério da Justiça, de dezembro de 2012. Para garantir pelo menos uma consulta ginecológica anual por mulher, como recomenda o Ministério da Saúde, cada um desses médicos teria de trabalhar 365 dias por ano e atender a 6 pacientes diariamente. Soluções para essa e outras deficiências serão debatidas durante o II Encontro Nacional do Encarceramento Feminino, que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Departamento Penitenciário Nacional do Ministério da Justiça (Depen/MJ) realizarão nos dias 21 e 22 de agosto, em Brasília.
"O ideal seria que cada unidade prisional contasse com um médico ginecologista. Mas, diante do baixo contingente de profissionais, as administrações penitenciárias adotam a alternativa de encaminhar as detentas para atendimento na rede do Sistema Único de Saúde (SUS) do município em que se situam", afirmou o juiz auxiliar da Presidência do CNJ Luciano Losekann, coordenador do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e do Sistema de Execução de Medidas Socioeducativas (DMF) e do II Encontro Nacional do Encarceramento Feminino.
Segundo o Departamento de Atenção à Saúde da Mulher do Ministério da Saúde, cada mulher, presa ou não, deve procurar o ginecologista pelo menos uma vez por ano para a realização do exame de Papanicolau, fundamental para a prevenção do câncer de colo de útero. No caso das gestantes, o ministério recomenda a realização de pelo menos seis exames de pré-natal e mais um de puerpério (pós-parto).
Preconceito - As deficiências no atendimento às necessidades de gênero são o principal problema enfrentado pelas mulheres encarceradas. Segundo a ouvidora do Depen, Valdirene Daufemback, uma das convidadas para o II Encontro Nacional do Encarceramento Feminino, elas reclamam "da revista íntima vexatória de visitantes; da separação precoce, abrupta, preconceituosa e, por vezes, criminosa de suas crianças; da negligência com relação a necessidades específicas, como acesso a absorventes e a uniformes femininos e da vulnerabilidade diante de presos ou funcionários homens, além de diversos casos de maus-tratos".
O evento promovido pelo CNJ e pelo Depen terá a participação de juízes e servidores que atuam na área criminal e de execução penal, de secretários de Administração Penitenciária, diretores de penitenciárias, agentes penitenciários e profissionais de saúde, além de membros do Ministério da Saúde e do Ministério Público. A solenidade de abertura do encontro terá a participação do conselheiro Guilherme Calmon, supervisor do DMF; do Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo; da ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci; e do diretor-geral do Depen, Augusto Eduardo de Souza Rossini.
Serviço:
Evento: II Encontro Nacional do Encarceramento Feminino
Data: 21 e 22 de agosto de 2013
Local: Escola de Magistratura Federal – 1ª Região (Esmaf). Setor de Clubes Esportivo Sul, Trecho 2, Lote 21 – Brasília/DF. Fone: (61) 3217-6646
Público-alvo: juízes e servidores que atuam na área criminal e de execução penal, nas esferas federal e estadual, secretários de Administração Penitenciária dos Estados, diretores de penitenciárias, agentes penitenciários, membros do Ministério da Saúde, do Ministério Público federal e estadual e profissionais de saúde.
Inscrições até 20 de agosto.

Presidente Dilma aprova recursos do PAC para a cidade histórica de São Cristóvão


Foto: Jr. Ramalho - Ascom/PMSC



Prédio da Prefeitura, Balcão Corrido e antiga Ferrovia serão algumas obras contempladas pelo projeto
A cidade de São Cristóvão está entre as 44 que serão contempladas pela ação intergovernamental PAC Cidades Históricas. A confirmação foi feita pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Cultural (IPHAN) em sua página, e oficializada pela presidenta da república, Dilma Rousseff, nesta terça-feira (20), em um evento na cidade de São João Del-Rey, Minas Gerais.
Das obras que foram solicitadas pelo município, oito se incluem entre as 425 que serão executadas com recursos do governo federal.  Apenas na quarta cidade mais antiga do país, os investimento representam aproximadamente R$ 11 milhões, destinados à imóveis e espaços públicos.
Restaurações da sede da Prefeitura, do Sobrado do Balcão Corrido, da antiga Casa de Câmara e Cadeia, dos prédios da Estação Ferroviária e Capelinha, incluindo a requalificação urbanística de sua esplanada, e restauração da Igreja Nossa Senhora do Carmo, são as obras que serão atendidas e executadas, em breve, pelo PAC Cidades Históricas em São Cristóvão.

Cantora Dicla Soares anuncia Canta Sergipe 2013


1º Canta Sergipe 2013 será um dos mais aguardado
 Nos dias 06 e 7 de setembro, a partir das 18h, no auditório Lourival Batista, acontecerá um dos eventos gospel mais aguardado em Sergipe. É o Canta Sergipe 2013.
O evento tem como convidados a cantora Liz Lanne  ( ex componente do Grupo Voice (Rio de Janeiro), a cantora Vitória Bastos (Salvador-BA),  e os cantores de Sergipe: a dupla Gilvan Carlos e Jackson Frazão, Cícera Nascimento, Ivangli Soares, Lucas e Luan, Vanderleia, Lenilson Mendonça , Grupo Vocal 5, Banda Unção e Louvor.
O evento é promovido pela APAESE- Associação e Promoção do Artista de Sergipe, que representa os artistas evangélicos no Estado, sob a organização de Dicla Soares e Marcelo Oliveira.
O evento está em sua primeira edição. As inscrições foram feitas pela internet, onde foram selecionados 10 participantes que irão se apresentar durante o festival. Eles serão analisados e julgados por um corpo de jurados que selecionará 7 e mais uma vez estarão se apresentando no dia seguinte, restando apenas 3 e apenas um irá para a final, que terá direito a gravação do CD.
Mais informações com Dicla Soares pelos telefones:
8842-1918/9852-8766
diclagospel@hotmail.com

Pesquisa mostra que mulheres e negros são a maioria entre todos os desempregados,

(O Globo) Mulheres e negros são mais de 60% entre os que estão desempregados há mais de um ano.
O bom desempenho do mercado de trabalho brasileiro nos últimos anos expôs um grave problema: a existência de um grupo de pessoas que dificilmente consegue uma vaga, mesmo quando as taxas de desemprego são as menores da história, em patamares próximos a 6% (pelos cálculos do IBGE), como vem ocorrendo no Brasil nos últimos dois anos. Segundo especialistas, para esse grupo, se o emprego é difícil quando o quadro é favorável no mercado de trabalho, a situação se torna ainda mais crítica quando a perda de fôlego na economia começa a se refletir na geração de vagas, como está acontecendo agora.
Estudo feito pelo Dieese, a pedido do GLOBO, mostra que mulheres e negros, que já são a maioria entre todos os desempregados, são ainda mais numerosos entre os que buscam vaga há mais de um ano. Entre os trabalhadores que procura emprego há menos de um ano, 53,9% são mulheres e 53,3%, negros. Essas fatias sobem para 63,2% e 60,6% entre os que estão desempregados há mais de um ano. - O desemprego caiu nos últimos anos. Mas é como uma piscina com um fluxo de entrada e saída. Tem gente sempre ficando no fundo e, quanto mais tempo a pessoa fica desempregada, mais tempo ela tende a ficar desempregada - diz a economista Lúcia Garcia, coordenadora das Pesquisas de Emprego e Desemprego do Dieese.
Quanto menor a taxa geral de desemprego, mais numerosos são negros e mulheres entre os desempregados de longo prazo. Segundo o Diesse, em 1999, quando a taxa de desemprego pela instituição era perto de 20%, negros e mulheres eram cerca de metade dos trabalhadores sem emprego há mais de um ano. Em 2012, quando a taxa de desocupação foi de 10,5%, nas contas do Dieese, eles superavam 60% dos desempregados de longo prazo.
O IBGE, que calcula a taxa de desemprego oficial do país a partir de seis regiões metropolitanas, estima que há 205.155 pessoas nessa situação, ou 14% de quem buscava vaga em junho. - O desemprego alto afeta todos, nivela por baixo. Quando a taxa de desemprego cai, atinge de maneira mais persistente os grupos sociais mais vulneráveis - diz Lúcia.
Segundo o estudo do Dieese, quando se considera a escolaridade, trabalhadores com ensino médio completo ou superior incompleto são a maior parcela: 46,2% dos que estão há muito tempo desempregados. Na avaliação de Lúcia, o aumento da escolaridade média do brasileiro explica a maior parcela de desempregados de longa duração com ensino médio ou superior incompleto. Nos últimos anos, os jovens puderam ficar mais tempo estudando antes de buscar emprego, mas essa escolaridade maior nem sempre garantiu a entrada no mercado de trabalho. A mineira Leila Soares, de 27 anos, conta que com o ensino médio completo tem visto as portas do emprego se fecharem por falta de experiência. Cursa o ensino profissionalizante para auxiliar administrativa e viu como é difícil conciliar estudo e trabalho. Em um dos últimos empregos, como vendedora, acabou demitida: - Queria estudar também e falavam que não dava - conta.
Leila veio para o Rio há oito anos em busca de condições melhores de emprego e até agora não encontrou: - Dá a impressão de que nunca está bom, que não estou atendendo às exigências.

Oficina sobre ‘Prêmio Funarte Mulheres nas Artes Visuais’ em Aracaju

Oficina sobre ‘Prêmio Funarte Mulheres nas Artes Visuais’ em Aracaju

A Representação Regional do Ministério da Cultura na Bahia e Sergipe (RRBA/SE) realizará no dia 21 de agosto a oficina de qualificação para o Prêmio Funarte Mulheres nas Artes Visuais, da Fundação Nacional de Artes (Funarte). A atividade é gratuita, não exige inscrição prévia e acontecerá no auditório do Cultart – Centro de Cultura e Arte – da Universidade Federal de Sergipe (UFS) em Aracaju.

Com inscrições prorrogadas para o dia 30 de agosto, o edital da Funarte selecionará projetos elaborados exclusivamente por mulheres, que visem à prática de linguagens artísticas, à reflexão crítica, à profissionalização dos processos de gestão cultural e à formação de público.

As propostas contempladas podem abranger ações de exposições, mostras, oficinas, intervenções urbanas, performances, publicações, produção crítica e documental e seminários. Serão contemplados dez projetos em todo o território nacional, que vão receber, em parcela única, R$ 70 mil para cada selecionado.

A oficina será ministrada pela artista visual e gerente de Mobilização da RRBA/SE Tininha Llanos, que tem vasta experiência em produção cultural e elaboração de projetos em artes visuais.

O edital é uma iniciativa do Ministério da Cultura, por meio da Funarte, e da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República. Ele integra o Plano Nacional de Políticas para as Mulheres 2013 – 2015, que prevê ações no eixo Cultura, Esporte, Comunicação e Mídia.

A oficina conta o apoio da Secretaria de Estado da Cultura de Sergipe. (Secult/SE).

Da Secult/SE

América Latina contrata mais mulheres, mas desigualdade no trabalho doméstico ainda é entrave, afirma pesquisa

América Latina contrata mais mulheres, mas desigualdade no trabalho doméstico ainda é entrave, afirma pesquisa

(Folha de S.Paulo) O incentivo à contratação de mulheres ganhou mais destaque nas agendas empresariais da América Latina nos últimos anos, segundo pesquisa da consultoria McKinsey&Company.
Em 2010, 21% dos consultados na região responderam que a diversidade de gênero era prioridade em suas companhias. Na pesquisa de 2013, o índice subiu para 37%.
"O mercado está mais aquecido, e a competição acirrada faz com que as empresas contratem mais mulheres", diz Manuela Artigas, sócia da consultoria.
Entre as principais barreiras para atrair funcionárias para as corporações, está a dificuldade de conciliar trabalho e responsabilidades domésticas, apontada por 44% dos 547 executivos entrevistados neste ano.
"A mulher gasta em tarefas domiciliares o dobro de tempo gasto pelo homem nas mesmas atividades", afirma Artigas.
A falta de políticas públicas pró-família e serviços de suporte, como escolas integrais e período estendido de licença-maternidade, ficou com índice de 24%.
Acesse o PDF: Negócio feminino (Folha de S. Paulo, 20/08/2013)
 

América Latina contrata mais mulheres, mas desigualdade no trabalho doméstico ainda é entrave, afirma pesquisa

(Folha de S.Paulo) O incentivo à contratação de mulheres ganhou mais destaque nas agendas empresariais da América Latina nos últimos anos, segundo pesquisa da consultoria McKinsey&Company.
Em 2010, 21% dos consultados na região responderam que a diversidade de gênero era prioridade em suas companhias. Na pesquisa de 2013, o índice subiu para 37%.
"O mercado está mais aquecido, e a competição acirrada faz com que as empresas contratem mais mulheres", diz Manuela Artigas, sócia da consultoria.
Entre as principais barreiras para atrair funcionárias para as corporações, está a dificuldade de conciliar trabalho e responsabilidades domésticas, apontada por 44% dos 547 executivos entrevistados neste ano.
"A mulher gasta em tarefas domiciliares o dobro de tempo gasto pelo homem nas mesmas atividades", afirma Artigas.
A falta de políticas públicas pró-família e serviços de suporte, como escolas integrais e período estendido de licença-maternidade, ficou com índice de 24%.
Acesse o PDF: Negócio feminino (Folha de S. Paulo, 20/08/2013)
 

América Latina contrata mais mulheres, mas desigualdade no trabalho doméstico ainda é entrave, afirma pesquisa

(Folha de S.Paulo) O incentivo à contratação de mulheres ganhou mais destaque nas agendas empresariais da América Latina nos últimos anos, segundo pesquisa da consultoria McKinsey&Company.
Em 2010, 21% dos consultados na região responderam que a diversidade de gênero era prioridade em suas companhias. Na pesquisa de 2013, o índice subiu para 37%.
"O mercado está mais aquecido, e a competição acirrada faz com que as empresas contratem mais mulheres", diz Manuela Artigas, sócia da consultoria.
Entre as principais barreiras para atrair funcionárias para as corporações, está a dificuldade de conciliar trabalho e responsabilidades domésticas, apontada por 44% dos 547 executivos entrevistados neste ano.
"A mulher gasta em tarefas domiciliares o dobro de tempo gasto pelo homem nas mesmas atividades", afirma Artigas.
A falta de políticas públicas pró-família e serviços de suporte, como escolas integrais e período estendido de licença-maternidade, ficou com índice de 24%.
Acesse o PDF: Negócio feminino (Folha de S. Paulo, 20/08/2013)
 
 
(Folha de S.Paulo) O incentivo à contratação de mulheres ganhou mais destaque nas agendas empresariais da América Latina nos últimos anos, segundo pesquisa da consultoria McKinsey&Company.
Em 2010, 21% dos consultados na região responderam que a diversidade de gênero era prioridade em suas companhias. Na pesquisa de 2013, o índice subiu para 37%.
"O mercado está mais aquecido, e a competição acirrada faz com que as empresas contratem mais mulheres", diz Manuela Artigas, sócia da consultoria.
Entre as principais barreiras para atrair funcionárias para as corporações, está a dificuldade de conciliar trabalho e responsabilidades domésticas, apontada por 44% dos 547 executivos entrevistados neste ano.
"A mulher gasta em tarefas domiciliares o dobro de tempo gasto pelo homem nas mesmas atividades", afirma Artigas.
A falta de políticas públicas pró-família e serviços de suporte, como escolas integrais e período estendido de licença-maternidade, ficou com índice de 24%.

Deputada gaúcha Manuela D’Ávila discute o tema aborto

 
(Marie Claire) Aos 32 anos e eleita duas vezes como a deputada federal mais votada do Rio Grande do Sul, a gaúcha fala, em entrevista exclusiva, sobre direitos das mulheres, bancada evangélica, machismo e debate, ainda, as causas da baixa participação feminina no Congresso Nacional.

Manuela D'Ávila sonhava em ser professora universitária. Cursou jornalismo e ciências sociais. No entanto, a política sempre esteve por perto. E, depois de passar por diversos movimentos políticos estudantis, ela decidiu se dedicar totalmente ao assunto. Em 2004, saiu da faculdade direto para a Câmara dos Vereadores de Porto Alegre, eleita pelo PCdoB.
Com quase dez anos de política, a gaúcha de 32 anos já concorreu duas vezes à prefeitura de Porto Alegre. Em 2006, entrou no Congresso como a deputada federal mais votada do Rio Grande do Sul, bateu o próprio recorde em 2010 e presidiu a Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Atualmente, é líder do seu partido e foi indicada pela 5ª vez ao Prêmio Congresso em Foco, como uma das melhores deputadas do Brasil. Apesar disso, não acredita em padrões. "Não existe isso de 'ser político'", afirma.
Marie Claire: A política é um terreno masculino e preconceituoso?
Manuela D'Ávila: Com certeza. Nos números, na forma e no conteúdo ainda é um mundo dominado pelos homens. Quanto ao preconceito, acho que todas as mulheres em suas profissões sofrem isso. Comigo não foi diferente.
MC: Em algum momento ser bonita a ajudou em algo na política?
Manuela: Não, ao contrário. Muitas vezes as pessoas tiveram ainda mais preconceito com as minhas ideias e colocaram minha capacidade em questão. Não dramatizo porque isso acontece com grande parte das mulheres, né? Elas sempre são adjetivadas. Se elas estão solteiras é porque ninguém aguenta, se estão casadas é porque têm que ter um marido. Se vamos comer no McDonalds, temos que escutar: "depois não sabe porque está gorda". Se comemos salada, soltam um "coitada, não come nada de mais gostoso". A cultura machista tenta fazer com que sempre tenhamos que provar algo. Esse é um dos pontos que a minha militância combate.
MC: Por ser mulher, há terrenos onde não pode atuar?
Manuela: Acho que existem espaços mais difíceis de entrarmos no Congresso Nacional. Proibido, não. Inclusive temos, sim, que estar cada vez mais em todos os temas já que resistem muito à entrada de mulheres. O machismo lá dentro ainda é muito grande e nossa participação, pequena. Somos só 8%, ou seja, apenas 40 de 500.
MC: A mulher teria como diminuir a insatisfação do povo brasileiro com a política nacional?
Manuela: O centro da insatisfação, mesmo que não identificado pelas pessoas, está na forma como tudo é financiado. Mudamos vários detalhes na última década, mas isso ainda não. Quer dizer: como uma mulher vai entrar na carreira política se tudo for financiado por 300 grandes empresários homens? Eles, claro, vão querer continuar pagando por homens. Os homens até votam nas mulheres, mas a questão não é esta.
MC: É uma questão de reforma política?
Manuela: Sim, sem dúvida. Defendo muito que pare de existir esse financiamento por parte de empresas privadas. O financiamento tem que ser público e feito por pessoas físicas. Se você entra para ajudar na campanha do seu candidato com 100 reais, teremos algo mais barato, sem todo esse show pirotécnico. Isso dá um contato maior. Assim, as mulheres podem se aproximar mais disso. Não adianta estarmos dispostas a nos candidatarmos se as grandes campanhas forem pagas por executivos homens que querem filhos e netos de quem já está lá naquele determinado cargo.
MC: Quem é a Manuela D´Ávila após a experiência política de dez anos?
Manuela: Conheço muito mais do nosso país e entendo muito mais da luta e complexidade das mulheres. Isso me faz vivenciar mais de perto o drama das mulheres. Meus mandatos fizeram de mim uma defensora mais radical do que antes.
MC: Sua atuação política fez com que planos de casamento ou maternidade ficassem em segundo plano? Ou, ao contrário, se sente cada vez mais cobrada de ter uma família tradicional estabelecida pela política?
Manuela: Não me sinto cobrada por nada. Vivo sossegada quanto a minha vida pessoal. Já posterguei bastante meus planos. Hoje me sinto absolutamente autorizada a conciliar e, em determinados momentos, priorizar a vida pessoal. Não que vá negar meu trabalho, mas priorizar uma reflexão sobre minha vida privada e concilia-lá com a pública.
MC: O país precisa lutar muito mais pelos direitos das mulheres?
Manuela: Sim e admito: antes eu não tinha noção de nada disso. É bom falar sobre este tema porque as mulheres da minha faixa etária e da minha origem social acham que as bandeiras feministas estão ultrapassadas. Elas acham que a violência contra a mulher, seja a sexual ou a de menores, ou o tráfico humano, são todos assuntos superáveis. E não são. É uma realidade do Brasil. A baixíssima participação de mulheres na política é um traço da sociedade que oprime, que silencia as mulheres na base da porrada, como diz a expressão popular. E o mais grave é a responsabilização da vítima. Seja em estupro, violência, ou até na política, quando falamos mais alto, eles querem nos responsabilizar. Essa é a cultura do Brasil: se usamos roupa curta, somos responsáveis pela violência, se somos duronas, nos culpam por algo.
MC: Defender temas ligados à juventude e ao engajamento nas redes sociais fizeram com que você ficasse mais popular...
Manuela: É uma questão de identidade com os jovens. Se eles se identificam comigo, têm total liberdade para cobrar, bater boca e voltar a gostar. A gente tem uma relação de igual para igual. Sem formalismos ou burocracia.
MC: Você já afirmou que o aborto é uma questão de saúde pública. Por que acha isso?
Manuela: Sempre que entram neste assunto, na sequência vem a questão da religiosidade. Enquanto isso, as mulheres morrem fazendo aborto. Não é apenas o debate "eu faria ou não". Eu não faria, mas não é esse o ponto. Mulheres são submetidas a procedimentos ilegais, ficam estéreis. Concordo quando os religiosos dizem que é um debate sobre a vida. Também quero debater a vida, mas a daquelas que morrem nestes procedimentos, principalmente as pobres. As ricas se submetem a cirurgias caríssimas em clinicas luxuosas e, dessa forma, não saem de lá com o próprio atestado de óbito.
MC: No início de agosto a bancada evangélica reagiu à lei da pílula do dia seguinte para vítima de estupro. O que acha desse caso?
Manuela: São razões típicas de uma bancada religiosa. Mas é algo totalmente ultrapassado, como quando são contra camisinha, exames de pré-natal ou uso de células-tronco para o combate às doenças degenerativas. É uma bancada totalmente conservadora que tem posições das quais eu discordo completamente.
MC: Como o projeto da "cura gay"?
Manuela: Sim, exatamente. Isso é algo do século 18, né? Curar as pessoas do que não é doença. Aliás, as mulheres já foram vítimas disso. Antigamente as colocavam na fogueira. Agora estão querendo fazer o mesmo com os homossexuais. É por isso que nós, mulheres, nos identificamos tanto com a causa.
MC: Jean Wyllys luta por condições dignas de trabalho para as prostitutas, como a legalização das casas de prostituição e o direito à aposentadoria delas. Qual seu posicionamento a respeito?
Manuela: Concordo com a maior parte das posições defendidas por ele. Neste caso, ao contrário do que outras pessoas argumentam, acho que regulamentar, organizar, não aumenta o número nem estimula a prostituição.
MC: Quando você presidiu a Comissão de Direitos Humanos, chegou a pedir o afastamento de Jair Bolsonaro da Comissão afirmando que ele é "uma pessoa que não defende os direitos humanos". Marcos Feliciano está no cargo de presidente da mesma Comissão. É mais complicado defender causas de direitos humanos com uma pessoa como a postura dele no cargo?
Manuela: O mais complicado é ele presidir a Comissão. A nossa luta avança, mas pessoas como ele nos fazem perceber que ainda há contradições no Brasil. O Feliciano nos tira da posição cômoda de achar que tudo está resolvido. Quando presidi a Comissão, cheguei a pedir, além do afastamento do Bolsonaro, também o do Feliciano. Mas isso sequer se tornou público. Ele é um parlamentar eleito. Então, olhando o outro lado da moeda, a sociedade precisa fiscalizar muito e pressionar para que pessoas como ele não se elejam. Gosto muito de uma frase judaica que diz: "lembrar, conhecer, para que não aconteça mais". Se aplica a isso: essa Comissão nunca foi tratada como protagonista na Câmara. Agora será, sim, tratada com tamanha importância para que o erro não se repita.